28 de maio de 2006

DE COMO NÃO CONHECI PRISCILLA PORTO NUM 21 DE ABRIL


maginei que pegava o primeiro ônibus, tão próximas as nossas cidades tal qual nossas vidas, e até que ela ia ao meu lado, anônima, estudando-me, desconfiada de alguma coisa. Imaginei mais. Que chegaria e ela se apresentaria, já livre das desconfianças e da minha descrição, que lhe dei. Imaginei as ruas de Ouro Preto -- pra quê, se as conheço? Imaginei-a também, Priscilla, e o que me contaria -- guardei tudo que imaginei, o que você teria dito e o que teria eu respondido. Mas tudo não passou de sonho, de desejo, de projeção. Qual poeta, ou simples operário das letras, não gostaria de ter conhecido a grande Priscilla Porto um pouco antes (de todo mundo) do auge da sua carreira? Eu sim projetei este encontro, e relato-o aqui, tal qual não aconteceu:

diegodomingos@yahoo.com

15 de abril de 2006


Você queria outra vida? Eu não. Mas quereria outras circunstâncias, outros meios. Um outro emprego em que tivesse mais tempo para mim e a família. Isto não é impossível. Para uns caiu do céu e não conheceram outra situação que não - a melhor: se tem feriado na folhinha não trabalha, e até emenda. Claro que só falo do empregado, um pobre enriquecendo mais um rico ao custo do seu próprio empobrecimento. Sim, há muita riqueza neste mundo, muitas as fontes de renda e poucos os que dela bebem. Sempre penso nisto quando saio da minha cidade e vejo o funcionamento das outras. E vendo os mercados e hipermercados, as concessionárias de carros, os shoppings - que são os verdadeiros templos do Capitalismo, vendo tudo recordo do rock cru de Brasília dos anos 80, vide a Plebe Rude: "Com tanta riqueza por aí/Onde é que está/Cadê sua fração?" É isto. A tão bem falada distribuição justa da riqueza mundial dotaria cada um de, verdadeiramente, uma fração do bolo, mas que já daria dignidade ao cidadão (nome hoje tão fictício) de trabalhar honesta e honradamente, para si ou cooperado, de se vestir com apuro, de ter uma boa saúde e de poder pagar para mantê-la sem abusos capitalistas do seu plano médico, de comer bem e de se divertir e ter o lazer merecido, tudo isto que parece tão longe de se tornar realidade. Isto é o que sonho hoje não somente para mim mas principalmente para o meu filho. Que ele possa viver e conviver bem com o mundo a sua volta e bem com os seus semelhantes (evito o que posso as frases feitas mas às vezes é impossível resistir!), sendo muito feliz num mundo mais justo e bom que ele mesmo ajudará a construir. Tenho dito!

19 de fevereiro de 2006

MESMO EU

Eu mesmo me olho
e eu mesmo me vejo
Eu mesmo me beijo
e eu mesmo me afasto
Deve ser um amor antigo
ou um amor atrasado
Eu mesmo me maqueio
e saio a me procurar
E se não me encontrar
pode ser outro em meu lugar

diegodomingos@yahoo.com
Lembro-me de várias coisas da minha vida de que talvez só me recorde por causa da trilha sonora do momento, das música no ar na época dos acontecimentos. Não faço nada nas horas que são só minhas sem ter uma música de fundo. Só escrevo assim. Não me abstrai em nada as letras das músicas. Se contaminam o texto? Pode ser, não faz mal. Agora mesmo ouço Gilberto Gil. Não o ministro, mas o músico genial que já fez e ainda vai fazer muitas coisas maravilhosas pra gente na Canção Popular Brasileira, CPB.
Mas não ia começar assim este post. Ia dizer que o certo não é sentar frente ao monitor naquela horinha que o patrão e a patroa nos concedem ao lazer, e ir jogando tudo o que vem à mente naquele momento. Há-que se locubrar alguma coisa, maturar o pensamento para que saia algo de valor que valha a pena mostrar a alguém. Algo que eu mesmo gostaria de achar nalgum blog ou mesmo nalgum texto jornalístico, na Net ou em qualquer lugar. Senão, vejamos. O que seria bom compartilhar aqui? Já pensei na paternidade.
É algo completamente diferente, apesar de ser ao mesmo tempo tão natural, e também algo mágico, que nos modifica para melhor. Pensei em criar um diário para o meu filho na Net em que falaria por ele narrando todas as situações por que passou, desde o seu nascimento, passando pela chegada na sua nova casa, o amor imensurável que recebeu dos seus pais, avós e tios, as primeiras mamadas no peito, a demonstração de suas primeiras vontades, da sua personalidade pré-programada que viria se moldando também com o passar do tempo, seus primeiros choros e demonstrações de satisfação e alegria, seus primeiros banhos, seu umbigo que caiu?, os primeiros cuidados com sua saúde, as vacinas, o teste do pezinho, as consultas de controle, quando engatinhou a primeira vez, seus primeiros passos, suas primeiras palavras, um ser se desenvolvendo na sua frente, pra quem tudo é pela primeira vez que acontece e você sendo testemunha disso, como pai e mãe, amando como nunca amou alguém, dando-se conta enfim um pouco do imenso amor que nossos pais nos dedicaram e continuam dedicando. Isto acho que seria valioso para mais alguém se publicasse. Mas como não consigo seguir à risca o preceito do Ziraldo de que "o mesmo tempo que você leva planejando seria o que você levaria fazendo" não levei a idéia pra frente e hoje meu filho é um homem completo, com seus um ano e nove meses. Parece já que ele é que é meu pai. Obedeço-o sem questionar, faço o que ele me pede sem pensar. Deve ser amor isto, amor verdadeiro.

diegodomingos@yahoo.com

8 de fevereiro de 2006

Salve, salve meu primeiro bloguizinho!! Sempre me lembro de vc quando estou conectado. Confesso que já pensei muitas vezes também em deletá-lo. Sim, porque qdo comecei postar aqui era tudo em inglês, esta língua bárbara (em que sentido?) e às vezes eu queria mudar a apresentação destas "cartas anônimas" e não sabia como. Mas agora cá estou nesta terça-feira quente de verão do Brasil visitando desinteressadamente minha primeira casa na web e vejo com surpresa que o meu Blogger está aportuguesado... não; abrasileirado. E por ali passo os olhos por alguns textículos (copyright Eduardo Almeida Reis, um de meus modelos na arte de escrever) meus e supreendo-me a sorrir de mim mesmo. Gosto deveras do que boto no papel. E é boto mesmo, eunuco, porque como me ensinou meu mestre EAR, é só a gente que bota, relincha, muge, late, mia, porque o animalzinho mesmo não segue lá nenhuma regra gramatical para viver; somos nós que damos nomes, do nosso ponto de vista, às ações deles animais, plantas e natureza.
Vou me dedicar mais a esta delícia de escrever para... quantos leitores? A quem interessa os meus pensamentos? Os seus? A nossa vida, tão curta, no meio de bilhões de vidas deste planeta e neste curto espaço de tempo? Eu não sei a resposta para pergunta tão séria. O que está me interessando hoje é conseguir (sobre) (con)viver em paz com o pequeno resumo (isto é pleonasmo como pequenos detalhes?) do mundo que me cerca - meus filhos, minha mulher, meus irmãos, minha mãe, meu pai, meus amigos e/ou conhecidos, meus vizinhos, meus colegas de trabalho. E isto é possível. E por que não - com meus leitores? Não leitores destas confissões confusas mas de meus elaborados livros inéditos? Vc já leu meu primeiro livro, "Tempoemais"? Não? Então é porque ainda não publiquei. Nele a minha vida é interessante, não aqui. Aqui é apenas uma ponte. Então trate de atravessá-la para o outro lado. Já.