26 de novembro de 2010

Fora da estrada


Não impressiona tanto um homem

o barulho nos telhados da chuva que se aproxima
os vários tons do pôr-do-sol
os ruídos tanto da vida natural quanto da vida fabricada
o som da risada de irene, a boa
o aniversário de uma criança pobre comemorado num bar, com um pedaço [de bolo comprado ali mesmo, somente com a mãe, o pai e o filhinho – entre [garrafas
o próprio deus, ainda que viesse armado
helena vestida de finíssimas franjas do próprio vento
a visão pra quem era cego, a música pra quem era surdo, a estrada pra [quem não andava, a  
 [mulher pra quem não funcionava

nada impressiona tanto este homem
quanto as rodas de um fora-de-estrada

Diego Domingos

2 comentários:

Paulo Sagrarius disse...

Fala Júniorrrr!

Bacana a poesia, cheia de jogadas antitéticas interessantes!

Um abraço!

Sário Ferreira disse...

Caro amigo poeta... Cadê os novos poemas???