7 de novembro de 2004

A VIDA QUE SE ALIMENTA DE TUDO, INCLUSIVE DA MORTE

A vida que segue, cheia de curvas sinuosas e perigos constantes, sejam naturais ou provocados. Num dia você está bem e pensa, seguro, que estão todos bem também; para descobrir a seguir que não é bem assim e as pessoas estão até morrendo. E a morte é um tema como outro qualquer que alimenta a própria vida, chocando-a, sendo comentada, narrada, dissecada. A morte alheia é algo comentável, já a própria falibilidade(!!) é um pensamento incômodo do qual nos afastamos. E a nossa vida é perfeita, não há dúvida. Temos problemas - econômicos, domésticos, familiares, - mas tudo isto faz parte da vida, nenhuma sombra paira sobre nossas cabeças, a não ser a idéia de que um dia chegaremos ao fim das páginas da história da nossa vida. E não há consolo para nossa própria morte. Não há lembrança alguma. Não fica nenhuma memória, não se especula sobre se o espírito é eterno, se há céu ou inferno para nós porque não é outro além de nós que morreu. O livro não é fechado, e se for não será por nós e sim por outro que jamais saberemos quem foi. De que nos servirá os discos que ouvimos, os livros, os jornais e revistas, as cartas, as viagens, as raivas e alegrias na nossa morte, a qual sequer sentiremos (?). São estes pensamentos que nos enchem o dia após sabermos pela tv que um jogador de futebol morreu em campo de um ataque do coração, que outro foi morto numa boate com um tiro na nuca e que a sua vizinha foi morta de graça num clube da cidade sendo atirada da sacada do segundo andar, tendo a cabeça partida na queda, e que foi o próprio "namorado" quem fez isto. Todas estas idéias me assaltam violentamente, como outras imagens da tv de gente espoliando gente, de gente violentando gente, de gente roubando gente, sequestrando, matando. E de nada adianta eu estar escrevendo ao som de Amado Batista, especulando seriamente se alguém vai ler este desabafo de um desconhecido do interior de Minas, pai de um lindo bebê de 6 meses cujo nome inspiraram o poeta Neruda e o pintor Picasso, fonte hoje de toda a esperança que me restou no homem, ser humano, gente que nasceu para brilhar.
diegodomingos@yahoo.com

18 de janeiro de 2004

Leiam para mim o que eu preciso ler, os clássicos, os novos autores, as novas publicações e me escrevam:

diegodomingos@yahoo.com
A PERFEITA INTEGRAÇÃO DE TRISTEZA E ALEGRIA NA TARDE

Saiba, Amor, que não podes matar tua sede no Mar.
Só um rio pode te saciar.

2002 a.D

DE COMO NÃO CONHECI PRISCILLA PORTO NUM 21 DE ABRIL - Parte IV

Todo texto tem que ter a sua pedra (fundamental) assim como toda pessoa tem o seu karma? Mas todo texto é uma mensagem e toda mensagem tem o seu emissor, sempre diferente ele dos outros dele mesmo a cada vez, emissor que pode não gostar de pedras ou de ficar espalhando nas suas mensagens pistas para uma outra compreensão de seu texto além da principal, que não é nem a do receptor, mas a dele próprio enquanto emissor e receptor privilegiado. Onde está a pedra desta crônica, Priscilla, eles jamais acharão, se a pedra sou eu ou é você ou eles mesmos. Penso que a minha pedra é a mesma do Drummond, aquela mesma do Quintana que atravanca o caminho. Poesia não carece de interpretação, carece de emoção, de amor, dos dois lados da mensagem. Poesia é falta, de beleza, de vida; poeta é ausência, é solidão, é vazio. A palavra é sempre um excesso do espírito. Por isso o poeta é um delator, porque está sempre flagrando os momentos particulares e denunciando-os no megafone, como um orate, deslumbrado com as manifestações da vida que não consegue integrar.