15 de abril de 2006


Você queria outra vida? Eu não. Mas quereria outras circunstâncias, outros meios. Um outro emprego em que tivesse mais tempo para mim e a família. Isto não é impossível. Para uns caiu do céu e não conheceram outra situação que não - a melhor: se tem feriado na folhinha não trabalha, e até emenda. Claro que só falo do empregado, um pobre enriquecendo mais um rico ao custo do seu próprio empobrecimento. Sim, há muita riqueza neste mundo, muitas as fontes de renda e poucos os que dela bebem. Sempre penso nisto quando saio da minha cidade e vejo o funcionamento das outras. E vendo os mercados e hipermercados, as concessionárias de carros, os shoppings - que são os verdadeiros templos do Capitalismo, vendo tudo recordo do rock cru de Brasília dos anos 80, vide a Plebe Rude: "Com tanta riqueza por aí/Onde é que está/Cadê sua fração?" É isto. A tão bem falada distribuição justa da riqueza mundial dotaria cada um de, verdadeiramente, uma fração do bolo, mas que já daria dignidade ao cidadão (nome hoje tão fictício) de trabalhar honesta e honradamente, para si ou cooperado, de se vestir com apuro, de ter uma boa saúde e de poder pagar para mantê-la sem abusos capitalistas do seu plano médico, de comer bem e de se divertir e ter o lazer merecido, tudo isto que parece tão longe de se tornar realidade. Isto é o que sonho hoje não somente para mim mas principalmente para o meu filho. Que ele possa viver e conviver bem com o mundo a sua volta e bem com os seus semelhantes (evito o que posso as frases feitas mas às vezes é impossível resistir!), sendo muito feliz num mundo mais justo e bom que ele mesmo ajudará a construir. Tenho dito!