2 de junho de 2010

POEMAS RECOLHIDOS NUM DIA DE INVERNO



Poemas ficam esparsos por gavetas e arquivos e num belo dia, ou num dia feio, você se pega pensando nuns versos originais mas não inéditos. É seu, mas não é de agora. Você próprio se diz de memória. Então é hora de trazê-los à luz. Para que você próprio os reveja. E aqui embaixo estão alguns destes versos quase poemas que estavam na sombra. Na memória. Quase soltos no ar de tão etéreos.


Eu sonharei todas as manhãs
Com novas canções me acordando.

***

Sem Deus não há mistério.

***

Livra-se do livro
e agarra a sorte
morta de esperar.

***

Preciso do Manuel
Bandeira da poesia nacional.

***

Não rimam minha dor com teu amor.
A dor é minha e o teu amor é livre.
Ela está aqui dentro e ele aí fora.
Minha dor é só minha.
Teu amor é de ninguém.

***

Se quero escrever ela não vem.
Se quero sair ela chega.
A Poesia é assim.
Num quer o que quem escreve deseja.

***

Vivemos na mesma vila
Onde vivem também
Outros vilões e outras heroínas.
A sorte nos sorri da esquina
E quando alcançamos esta
Já não avistamos aquela.

***

O fim está mais próximo do início do que imaginamos. (2/6/2010)

Diego Domingos foi passadeira num castelo medieval em outra vida


Um comentário:

Paulo Sagrarius disse...

Uma coleção de fragmentos poéticos tão curtos quanto completos no sentido de propor reflexões profundas... Henrique, você é o cara! Como você pode bolar uma frase destas: "Sem Deus não há mistério"?

Simplesmente fabuloso.